Carta Aberta
referente
às Festas da Achada 2010
Existe há
largos anos entre a EMJM e a Junta de Freguesia de Mafra, um protocolo da qual
fazem parte as festas do Arquitecto, Zambujal, Paz, Sobreiro, Achada, Murgeira,
Barreiralva e Murtais.
A EMJM sempre
cumpriu escrupulosamente tudo o que lhe foi pedido nestas actuações pelas
comissões de festas. Sempre respeitou as pessoas, as comissões, os horários. E,
mesmo quando alguma situação não corria pelo melhor, sempre tivemos a
hombridade de compreender que as pessoas responsáveis pela organização das
festas são poucas, mas dão tudo o que têm e não têm, para dar continuidade às tradições.
É essa a maneira de estar desta instituição e os mais de cem serviços
efectuados nos últimos três anos, em que convivemos com dezenas de comissões de
festas sem um único reparo, são prova disso.
Respeitamos e
respeitaremos quem nos contrata, quem nos convida.
Relativamente
à comissão de festas da Achada, temos sentido que o respeito que nutre para com
o trabalho árduo destes músicos, maestro e direcção é praticamente nulo e este
ano acabou por exceder todos os limites.
Nos anos de
2008 e 2009, a
direcção da EMJM questionou o Senhor Presidente da Junta Freguesia de Mafra,
sobre a ida de manhã da Banda à arruada.
Que fique bem
claro que esta situação apenas foi levantada devido à presença de uma fanfarra
e não devido a “preguiça” ou “má vontade” da Banda. O que efectivamente sucede
é que a fanfarra e a banda vão demasiado próximas e a Banda acaba por tocar
muito pouco para uma arruada tão grande. Durante esses dois anos propusemos que
da actuação da banda fizessem parte a procissão e o concerto. Concerto este que
seria mais alargado para compensar a não ida à arruada de manhã. A festa
ganharia porque não nos pagaria o almoço. Durante dois anos estes factos foram
comunicados pela Junta de freguesia à comissão de festas e nestes dois anos
foram completamente ignorados. Nos cartazes aparecia sempre que a Banda estaria
de manhã, utilizando assim uma técnica “obscura” de nos obrigar a actuar, uma
vez que já estava no cartaz, e assim seria sempre a Banda que ficaria mal vista
caso não comparecesse. Fomos de manhã nos dois anos e não existiu sequer um
comentário da nossa parte a esta situação. Somos amadores, mas trabalhamos com
a mentalidade de profissionais.
Após a
actuação em 2009, os músicos da EMJM decidiram em reunião com a Direcção não
actuar mais nas festas da Achada, derivado à situação anterior. Este facto foi
comunicado à Junta de Freguesia ainda nesse ano, que posteriormente o comunicou
à comissão de festas.
Este ano
deu-se a particularidade da troca de fins-de-semana entre a Festa do Sobreiro e
a Festa da Achada. A comissão de Festas do Sobreiro atempadamente entrou em
contacto connosco para acertamos os detalhes e para nos alertar para a mudança
da data. Da comissão de Festas da Achada, soubemos que íamos tocar pelos
panfletos e cartazes actualmente afixados.
Ora, uma vez
que a comissão de festas da Achada já havia sido informada atempadamente que a
direcção da EMJM havia deliberado não voltar a tocar nestas festas,
perguntamo-nos até que ponto chega a arrogância e a prepotência de confirmarem
unilateralmente a presença da Banda da EMJM no dia 01 de Agosto.
Marca-se o
dia, fazem-se e afixam-se os cartazes e a Banda aparece depois de lerem, porque
já lá está e assim não podem dizer que não. É assim que se trabalha?
Sucede que, a
Banda da EMJM tem nesse dia uma actuação em Proença-a-Nova, contratada desde
Agosto de 2009.
Para que as pessoas tenham noção do que
estamos a falar, no período entre 11 de Julho e 15 de Outubro, temos dois
fins-de-semana em que não actuamos. Não deve ser por acaso.
No fundo o que
exigimos é respeito.
Exactamente o
mesmo respeito que esta Instituição nutre pelo trabalho dos que voluntariamente
mantêm vivas as festas, sendo também eles responsáveis pela continuidade das
Bandas Filarmónicas.
Também nós trabalhamos
“por amor à camisola”, a diferença é que o fazemos durante todo o ano, ensaiamos
duas vezes por semana e actuamos mais de trinta fins-de-semana.
É muito
esforço para se ser vulgarizado.
Esta
instituição tem vinte e nove anos e cabe-me a mim e à restante direcção a
tarefa de defender não só o seu bom nome, mas também o trabalho e o sacrifício das
centenas de pessoas que já passaram por esta casa e que a tornaram no que é
hoje: um motivo de orgulho para o concelho.
Que fique bem
claro, que sempre fomos extremamente acarinhados pelos habitantes da Achada e
não existe nenhum “divórcio" da Banda para com a terra.
Porém, quero deixar
uma certeza em público: enquanto eu for o presidente da Direcção da Escola de
Música Juventude de Mafra e enquanto na Comissão de Festas se mantiverem as pessoas
que provocaram esta situação, esta Banda não voltará a actuar nas festividades
da Achada. Mesmo que esteja livre; mesmo que apareça nos cartazes.
O Presidente da Direcção,
André Rodrigues
Mafra, 03 de Julho de 2010
Nota da Redacção: Merece-nos o mesmo respeito tanto a Direcção da Banda como a Direcção da Comissão das Festas da Achada. Por esse facto, daremos o mesmo espaço para qualquer resposta sobre este assunto desde que solicitado.